ENERGIA ELÉTRICA NA ÁFRICA DO SUL - COPA DO MUNDO 2010
ENERGIA ELÉTRICA NA ÁFRICA DO SUL - COPA DO MUNDO 2010
Onze países da África Austral garantiram gerir as suas redes de energia eléctrica de forma que a Copa do Mundo-2010 não seja afectada por cortes energéticos, revelou a empresa sul-africana Eskom.
Segundo o director do projecto “Eskom 2010”, Johnny Dladla, os responsáveis da sua empresa ficaram “encantados” com o nível de cooperação encontrado nas recentes reuniões realizadas em Maputo, capital de Moçambique, com os países que fazem parte de um grupo regional criado para garantir que os estádios e cidades sul-africanas tenham o máximo de capacidade energética durante o evento.
Além da África do Sul, a “Southern Africa Power Pool” - rede de países cujas redes eléctricas de geração e distribuição estão interligadas - é composta por Moçambique, Angola, República Democrática do Congo, Malauí, Namíbia, Suazilândia, Tanzânia, Zâmbia, Zimbábue e Botsuana.
Os restantes 10 acordaram em reduzir os seus consumos energéticos durante o mês e meio que durará o evento, principalmente através de incentivos para que os grandes consumidores industriais reduzam o consumo em períodos críticos, ao mesmo tempo que se comprometeram em maximizar a geração de energia para que a rede regional esteja bem alimentada no período de realização dos jogos.
“Esta iniciativa confirma que o Mundial-2010 será na verdade um grande evento africano”, citou o responsável da Eskom.
Em 2007 e 2008 a África do Sul sofreu uma crise energética de grandes proporções, que mergulhou na escuridão várias das suas cidades repetidamente ao longo de vários meses e forçou vários sectores, como o mineiro, a reduzir a produção por falta de energia elétrica.
O governo do então presidente Thabo Mbeki viria a admitir ter responsabilidades na crise por não ter autorizado investimentos em novas centrais geradoras durante mais de uma década e por ter calculado mal as necessidades decorrentes do crescimento da economia.
Em Novembro do ano passado, o governo assinou um contrato de 394 milhões de euros para a construção de uma nova central geradora a carvão com o Banco Africano de Desenvolvimento, traçando um plano de médio/longo prazo para satisfazer as necessidades energéticas do país no futuro.
A primeira central do projecto está já em construção no norte do país. Com uma capacidade geradora de 4 800 megawatts, a central estará em operação plena em 2012, mas a Eskom pretende aumentar a sua capacidade geradora dos atuais 43 000 megawatts para 80 000 no ano 2026.
Temendo apagão, África do Sul quer limitar uma TV por residência
Companhia de energia do país sede do Mundial investiu R$ 711 mi para evitar blecaute, mas sabe que o consumo durante o torneio irá aumentar muito
Eskom, companhia de energia elétrica da África do Sul, teme um apagão durante a Copa do Mundo. E, para tentar evitar isso, mandou um recado aos moradores nesta terça-feira. No período do Mundial, que vai de 11 de junho a 11 de julho, a recomendação é para que cada casa deixe apenas uma televisão ligada e uma lâmpada acesa.
Casos de queda de energia são comuns no país. Há cerca de três anos, para impedir um colapso no sistema, o governo implantou um esquema de rodízio: todos os dias cada região da África do Sul ficava sem luz por quatro horas. A principal fonte de energia dos sul-africanos vem de termoelétricas, abastecidas com carvão.
A expectativa é que durante a Copa do Mundo cerca de 300 mil pessoas desembarquem na África do Sul para acompanhar os jogos. Além disso, devido à mobilização local, o interesse em assistir aos jogos pela TV será muito grande. Com isso, o consumo de energia elétrica vai disparar. A companhia responsável pelo sistema investiu 3 bilhões de rands (equivalente a R$ 711 milhões) para tentar sanar possíveis apagões. Para piorar, por ser inverno na época do Mundial de futebol, as residências já utilizarão mais energia para ligar os seus aquecedores.
Um dos jornais de Joanesburgo usou a seguinte manchete para ilustrar o caso: “Uma nação. Uma TV. Uma lâmpada”.
Li uma matéria, hoje, no
Portal Uol, que me deixou uma certa sensação de que verei esse filme algum dia.
A reportagem informa que o estádio Mbombela, construído em Nelspruit, na África do Sul, para a Copa do Mundo do ano que vem, trará aos visitantes um retrato legítimo da realidade do continente africano, ou seja: não está preparado para receber um grande evento esportivo.
A praça esportiva foi erguida com capacidade para 46 mil pessoas (o detalhe é que a cidade tem apenas 21 mil habitantes) em um espaço que, descontada a beleza natural que o cerca, revela o que há de pior no continente esquecido. A pobreza encontrada nas cercanias da nova maravilha arquitetônica de 172 milhões de dólares (candidato fortíssimo a elefante branco após o Mundial) revela com fidelidade a imagem do descaso, do mandonismo e da corrupção escatológica que assola o país.
Para se ter uma ideia do abandono do lugar e da falta de planejamento do comitê organizador da Copa africana e do poder público local, as casas que cercam o estádio simplesmente não possuem energia elétrica e, além disso, visando a obra, duas escolas que existiam no local fora desativadas. Os alunos que nelas estudavam foram transferidos para “aprazíveis” e “ventilados” (com o perdão pela ironia) contâineres.
De acordo com um morador da área, que se dispôs a conversar com a reportagem, o turista que for a Nelspruit durante a Copa “conhecerá o inferno”. Com tal cartão de visitas, fica difícil imaginar o sucesso financeiro do evento. Até que se prove em contrário, apenas turistas sedentos por muita adrenalina vão querer assistir a jogos nesse estádio.
Uma lição para não ser esquecida para 2014 e 2016… Com a imagem do Rio de Janeiro em estado de guerra civil viajando pelo planeta, quem vai fazer uma Copa do Mundo ou as Olimpíadas pretexto para se aventurar pelo País do carnaval?